Cinema Pernambucano: Camilo Cavalcante

Divulgação

Sua filmografia é composta por 14 curtas e um longa-metragem. Além de dirigir e produzir filmes, realizou o projeto “Cinema Volante Luar do Sertão”, levando sessões gratuitas de cinema para municípios do semiárido. Também é de sua autoria a série de TV “Olhar”, exibida pelo canal Brasil. O Cinema Pernambucano é destaque mais uma vez na Coluna Cinema e Conversa. Hoje, falo sobre um dos grandes nomes da sétima arte no Estado: Camilo Cavalcante.
Atualmente, Camilo está produzindo o curta “Beco”, documentário sobre pessoas comuns que costumam passar pelo Beco do Inferno, localizado no mercado de Afogados, no Recife. No último dia 7, seguiu para a Bolívia para o início das gravações de seu segundo longa de ficção,“King Kong En Asunción”. O filme narra a história de um velho matador de aluguel que segue viajem para o Paraguai em busca de notícias de sua única filha.

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Compartilho agora com vocês minha impressão sobre dois curtas-metragens de sua filmografia.

A História da Eternidade (2003)
Curta – 35mm – 10 min.

 

Historia_da_eternidade - CURTAEm 2014, Camilo lançou “A História da Eternidade”, seu primeiro longa-metragem. O filme conquistou diversos prêmios nos festivais por onde passou, não apenas no Brasil, mas também no exterior. Participou, inclusive, em 2014, do International Film Festival Rotterdam, Holanda.
Mas antes de produzir o longa, o diretor havia realizado em 2003 um curta homônimo, também bastante premiado. A história é toda contada em um plano-sequência que se inicia com o registro de um parto em uma casa humilde do sertão e termina com a mesma cena, assistida na TV por um idoso.
É uma história de ciclos, que passa pela vida e a morte. O curta é um misto de sonho e pesadelo. Trouxe a minha mente lampejos de alguns filmes de Fellini, conhecidos por sua poesia e mergulho no mundo dos sonhos.

 

Prêmios:
Melhor Direção – 36o. Festival de Cinema de Brasília
Melhor Direção de Arte – CINE PE
Melhor Fotografia e Melhor Curta (Júri Popular) – Festival de Cinema de Cuiabá
Melhor Direção – Festival de Cinema de Belém
Prêmio Banco do Nordeste de Cinema e Prêmio Aquisição do Canal Brasil – Cine Ceará
Prêmio da Crítica – Mostra Internacional de Curtas de Belo Horizonte
Prêmio da Crítica – Festival de Cinema de Vitória
Melhor Ficção – Grande Prêmio TAM do Cinema Brasileiro

Rapsódia Para Um Homem Comum (2005)
Curta – 35mm – 35 min.

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A história acontece no período da ditadura, mais especificamente na década de 70. Conhecemos Epaminondas, um funcionário público de classe média baixa, cuja vida é dominada pelo amargor da rotina. Como se tivesse bolas de ferro atadas aos tornozelos, ele se arrasta em direção ao ciclo diário casa-trabalho, trabalho-casa.
A caminhada marcada pela presença do tédio e desânimo chega ao fim quando, sentado à sombra de uma árvore, ouve na residência a sua frente o som de uma bela canção. Através da janela, vê uma mulher tocando piano. Desde então, sua agenda diária ganha mais um compromisso: sentar à sombra da árvore e apreciar as belas melodias extraídas do piano por aquela desconhecida. Mas a alegria de Epaminondas dura pouco. Certo dia, presencia a mulher sendo espancada pelo marido. A cena que viu plantará em seu coração uma semente de ódio que o levará a tomar uma dura decisão.
Considero este um dos melhores curtas realizados por Camilo. Uma história simples, é verdade, sem muitas surpresas, mas bem amarrada, sem pontas soltas, guiada por uma bela trilha sonora.
O elenco é composto por atores da região, como os recifenses Cláudio Jaborandy (Velho Chico, Sete Vidas) e Magdale Alves (Justiça, Amores Roubados), além do já falecido ator, natural de Cortês, Jones Melo, que além de trabalhar em filmes como Amarelo Manga e Baile Perfumado, é também lembrado por sua atuação em comerciais de uma grande rede de farmácias.

Prêmios
Melhor Curta-metragem (Prêmio da Crítica), Melhor Direção,
Melhor Ator e Prêmio Canal Brasil – Festival de Cinema de Brasília
Melhor Ficção – Mostra Curta Cinema
Melhor Direção de Arte – CINE PE
Melhor Ator, Melhor Direção, Melhor Ficção e
Melhor Curta-metragem – FAM (Festival Audiovisual Mercosul)
Melhor Curta-metragem, Prêmio BNB de Cinema, Melhor Ator, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Adaptada – 29º. Guarnicê de Cine e Vídeo
Melhor Curta-metragem – Amazonas Film Festival
Melhor Ator, Melhor Ficção e Melhor Curta-metragem – Cineamazônia 2006
Melhor Curta do Festival dos Festivais – 10° Festival de Curitiba
Melhor Curta-metragem – 9° Mostra Brasil Plural

*os curtas podem ser vistos no site da produtora Aurora Cinema. http://auroracinema.com.br/tags/curta


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*Por Wanderley Andrade é jornalista e crítico de cinema

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