Entrevistas

Rivaldo Neto

O interior demarcou minha formação

A paixão pela sétima arte sempre permeou a vida de Camilo Cavalcante. Quando morava no Rio de Janeiro, aos 10 anos, ele a pegava um ônibus sozinho com intuito de assitir uma sessão de cinema. Para acalmar a aflição da mãe, o garoto ligava dos orelhões de ficha informando que chegara são e salvo. A paixão tornou-se ofício e hoje ele é um cineasta premiado. Nesta conversa com Cláudia Santos e Rafael Dantas, Camilo lamenta o fechamento das salas de exibição no País, fala da sua infância vivida em várias cidades do interior e de planos futuros. Como foi sua infância? Nasci no Recife, meus pais eram médicos da saúde pública e eram transferidos com frequência. Começaram a carreira no interior do Piauí em Butiri dos Lopes. Moramos depois em Floriano, onde fui alfabetizado, depois tivemos uma passagem em São Paulo, quando meus pais foram fazer uma especialização, em seguida…

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Piera Lobo/Algomais

Virei escritor por causa da revolução

O romance A Noiva da Revolução tem sido responsável por tornar mais conhecido do público o movimento de 1817. Nesta entrevista, o autor da obra, Paulo Santos, comenta como concebeu o livro, analisa porque essa parte da história do País foi “deletada da memória nacional” e fala sobre seus projetos futuros. Como você começou no jornalismo? Eu havia entrado num curso de geologia e descobri que não tinha vocação.  Chegou um momento em que larguei tudo e resolvi trabalhar. Comecei como cartunista no jornal, aos 19 anos. Depois, passei dois anos em São Paulo. Voltei para o Recife, trabalhei no Jornal do Commercio, como cartunista, mas fazia reportagem eventualmente. Fui correspondente da imprensa alternativa, nos jornais Movimento e Em Tempo, nos anos 70. Nos anos 80, ajudei a fundar a ONG Equipe de Comunicação Sindical. Passei uma década trabalhando com sindicatos e associações de bairros. Nos anos 90,  me apaixonei…

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Piera Lobo/Algomais

Componho o que ouço do povo

Se você é um folião certamente já brincou ao som de um frevo composto por J. Michiles. Nascido José Michiles da Silva, o autor de Bom Demais, Me segura senão eu caio e Diabo Louro fala nesta entrevista da sua trajetória musical, que curiosamente começou criando uma versão dos Beatles para o grupo Golden Boys. Você sempre viveu no bairro de Campo Grande? Sou recifense e sempre morei em Campo Grande e arredores (Arruda, Água Fria, Sítio Novo). Quando menino ouvia no rádio os grande autores pernambucanos, como Levino Ferreira, Zumba, Capiba, Nelson Ferreira. Também ouvia Jackson do Pandeiro, Ari Lobo, Luiz Gonzaga. Desde cedo que eu me abri para essa imagem que é a música pernambucana. E já escrevia paródias. Você é sobrinho do cantor Orlando Dias, ele também o influenciou? Ele foi intérprete de grandes sucessos nos anos 60. Cantor romântico. A mãe dele minha avó já cantava,…

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A China produz roupa, mas não produz marca

Quando criança, ele vendeu dudu e cocada nas ruas de Santa Cruz do Capibaribe. Mal entrou na adolescência ajudou a mãe a confeccionar roupas. Hoje ele é dono de uma das maiores marcas de moda praia e street wear do Estado e planeja faturar R$ 40 milhões este ano. Conheça nesta entrevista a trajetória de sucesso de Arnaldo Xavier. Como foi ser criança e ter que trabalhar? Sou de uma família de cinco irmãos (eu, mais um homem e três mulheres). Sou filho de uma costureira e de um senhor que trabalhava na Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe. Em 1974, quando eu estava com 7 anos – sou o mais velho – e minha irmã mais nova tinha 8 meses, meu pai, aos 32 anos, faleceu. Deixou minha mãe viúva, aos 28 anos. A gente começou a ter muitas dificuldades porque todos os irmãos de minha mãe (que eram…

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Diego Nóbrega

O manguebeat contribuiu para o cinema descobrir o Recife

Com a mesma desenvoltura que circula entre diferentes ritmos para criar sua música, DJ Dolores transita com desembaraço em papéis distintos como o de documentarista, designer ou autor de trilha sonora. Misturar, ousar experimentalismos e se lançar em novos campos da arte sempre fascinou o sergipano Helder Aragão, que se tornou recifense, desde que aportou por aqui aos 18 anos. Nesta conversa, ele fala da cena mangue e sua influência, da relação com Kleber Mendonça Filho, dos planos na música e das investidas em produções para a TV. Por Cláudia Santos e Rafael Dantas Como foi ser criança em Sergipe? Nasci em Propriá, à beira do Rio São Francisco. Essa experiência ribeirinha foi importante pra mim porque a gente tinha muito contato com a natureza. Também tínhamos um certo culto à educação. A gente lia muito desde criança. A ideia de ler sempre foi muito presente na minha vida e…

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“O mundo é mais inteligente por causa do digital”

Gustavo Maia é um recifense apaixonado por política e um empreendedor incansável. Embora jovem, já teve vários negócios. O Colab, aplicativo que criou com amigos, recebeu o prêmio AppMyCity de melhor app urbano do mundo. Inquieto, disse nesta conversa com Algomais, que planeja introduzir mudanças no produto para ser ago como o Pokemon Go da cidadania. Confira mais na entrevista. Você passou a infância no Recife? Sou recifense, mas aos 5 anos me mudei para São Paulo, com minha família. Meu pai é executivo da PWC e foi transferido para lá. Aos 6, ele foi transferido para os Estados Unidos, Indianápolis. Depois, voltamos para São Paulo, em seguida para o Recife. Foram dois anos fora. Em 1999 fomos para Campinas. Passei um ano e meio e fui fazer intercambio no Canadá. Depois voltei para o Recife para fazer faculdade, publicidade. Entrei na faculdade aos 17 e aos 18 montei um…

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Me interesso mais por literatura do que por pintura

Todos os dias, nos mesmos horários, João Câmara labuta no seu ateliê. Ele brinca dizendo que a rotina de expediente de trabalho é um hábito herdado do pai, funcionário público. Talvez isso explique o volume de sua produção tão grande quanto o tamanho dos painéis que caracterizam sua obra. Quadros, aliás, que podem ser apreciados e adquiridos no casarão nas Graças que pertenceu a José Antonio Gonsalves de Mello (autor do clássico No tempo dos Flamengos). Lá o artista recebeu a equipe da Algomais para uma conversa sobre suas influências artísticas, o mercado de arte e a paixão por textos “pedreiras”, como os de James Joyce. Você nasceu na Paraíba e veio para o Recife. Conte um pouco dessa trajetória. Nasci em João Pessoa, em 1944. Quando era menino ainda, nos mudamos para o Rio. Meu pai trabalhava nos Correios e foi transferido para lá. Passamos dois anos e meio…

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Foto: Diego Nóbrega

Dois livros do escritor vão virar séries de Tv

Comissão da Verdade, consultor da Unesco, José Paulo Cavalcanti Filho conta sempre boas histórias dos lugares onde passou. O talento para perceber o inusitado no cotidiano talvez tenha sido um dos motivos que o levou a ser escritor. Nesta conversa, ele conta sobre sua trajetória e a experiência de transpor seus livros para a telinha, um deles é a biografia de Fernando Pessoa. Qual a lembrança que senhor tem da infância no Recife? A vida não é estrada reta, onde você anda sempre em frente sabendo aonde vai chegar. É um cordão sem ponta, em que você, em algum momento, volta para a raiz. No começo você quer conhecer lugares, depois quer só voltar aos lugares que mais gostou. No começo você quer conhecer sons, no fim quer só ouvir a música que gosta. Por exemplo, uma vez por ano faço com minha mulher uma viagem culinária com pelo interior…

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Foto: Diego Nóbrega

Tenho projeto de escrever um livro

Conhecido pelo virtuosismo com que interpreta desde frevos, MPB até o Hino de Pernambuco, o músico Cláudio Almeida nem sempre dedicou-se à arte. Durante muito tempo eram os números e não as notas musicais que faziam parte do seu trabalho como economista. Nesta conversa com a Revista Algomais, ele conta como fez essa virada na carreira, suas parcerias com artistas como Spok , Zeca Baleiro e Alceu Valença e até a participação que teve no cinema. Como foi ser criança em Pesqueira? Muito bom. Meu pai, Osvaldo de Almeida, era músico. Tocava clarinete, saxofone e trombone. Mas não queria que a gente estudasse música. Acabei tocando guitarra em conjuntos de iê-iê-iê. Eu gostava de bateria, ele ainda comprou uma para mim. Toquei bateria, um tempo depois. A arte de minha mãe era com as mãos, tudo o que for de bordado, doces, culinária ela fazia. Foi uma das pioneiras que…

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