Paulo Caldas

Por que os médicos escrevem? (Por Paulo Caldas)

A história é quem nos diz. Dentre os renomados vultos da literatura universal, desde as mais remotas manifestações, são incontáveis os de formação nas áreas do Direito, da Filosofia, da Política e outras profissões cujo cotidiano os motiva ao hábito da escrita. Mas e os médicos? Por uma vida a lidar com as mazelas alheias, das simples disfunções orgânicas aos estados nebulosos da consciência, o que os estimula o apego às letras? Como definir o surgimento do genial Tchekhov, de um João Guimarães Rosa, Conan Doyle e tantos mais que se tornaria cansativo citar? Qual então o motivo desse fascínio pelo ato de escrever? Será a chamada vocação ou o estímulo vem do contato com o humano. E a especialidade médica, contribui para essa tendência? No âmbito local, há um expressivo número de médicos que se dedicam à literatura e chamamos alguns deles a opinar. A cardiologista Ândrea Chaves, mostra…

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Por que os escritores vão às salas de aula III

*Por Paulo Caldas Perguntada por que vai às salas de aula, a escritora Rosângela Lima, explica. “Porque lá é possível, por exemplo, propor que as crianças alterem as aventuras vividas pelos personagens ou que incluam alguns novos. Lá, podemos considerar pontos de vistas diferentes, enfim estar em contato direto com o leitor e sentir de perto que podemos sim, fornecer a elas referenciais que enriqueçam seu repertório. Só com o contato direto com as crianças na sala de aula é que eu poderia ouvir “pérolas” como essa: – Quem vai ao casamento do Pato? Perguntei antes de ler o meu livro com esse título; quase todas as crianças levantaram a mão, apenas uma baixou a cabeça e fez sinal negativo com a cabeça; no que eu perguntei? – Por que você não vai ao casamento do pato? – É que sábado eu vou pra Gravatá!” Quanto a sua receita para…

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Por que os escritores vão às salas de aula? (Por Paulo Caldas)

*Por Paulo Caldas Para a escritora Jussara Kouryh aproximar os autores do leitor, muitas vezes crianças e adolescentes, é fascinante. “Acham que somos pessoas distantes, que vivemos num mundo diferente, mas quando percebem que somos iguais, que possuímos os mesmos sonhos e inquietações, começa um processo de desmistificação. É muito interessante”. Ela acrescenta que outra motivação é constatar o quanto nossa presença nas salas de aula, além de provocar discussões produtivas sobre o texto, sua compreensão e interpretação, desperta interesse pela leitura, além de estimular a própria produção textual dos alunos. “Os estudantes e profissionais da educação, nos trazem elementos extraordinários para o enriquecimento de nossa escrita. São observações, exigências que acrescentam positivamente e abrem leques para nossas futuras produções. Em suma, é uma troca maravilhosa”. Garante. [caption id="attachment_5490" align="alignnone" width="300"] Jussara Kouryh[/caption] Perguntada sobre se a sua visita contribui para incentivar o hábito da leitura, Jussara Kouryh tem dúvidas.…

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“Em busca do meu leitor” (Por Paulo Caldas)

Acreditando na máxima “Todo artista tem de ir aonde o povo está”, resultante da feliz parceria de Milton Nascimento e Fernando Brant, que gerou a canção “Bailes da vida”, diversos autores pernambucanos, ou aqui radicados, além de exercer a arte da escrita, vão às escolas em que seus livros são adotados para um contato direto com o leitor. Essa prática se impôs por aqui, nos meados de 1980, quando os lançamentos das Edições Bagaço tomaram corpo na missão de revelar e resgatar talentos literários e artistas dedicados à ilustração gráfica. E aqui vão os depoimentos de alguns desses Quixotes: A escritora Socorro Miranda revela: “Vou às salas de aula para concretizar uma verdadeira mediação de leitura, pois o autor chegar perto dos seus leitores não tem incentivo melhor, que essa quebra de distâncias, para um primeiro passo ao encantamento pela leitura. Lá somos recebidos sempre, com entusiasmo e curiosidade. Acredito que…

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Em "Lições de Literatura", Vladimir Nabokov disseca o conteúdo de grandes romances

Livros que ensinam a escrever – Parte 2 – (Por Paulo Caldas)

Na apresentação de “Escrever ficção não é bicho-papão”, o escritor Ney Anderson, editor do site Angústia Criadora, pergunta: “De onde vem a ficção?”. E acrescenta: “Essas perguntas não são fáceis de responder. Geralmente se cai no clichê barato da inspiração, onde tudo aparece como um passe de mágica”, afirma. E continua seu questionamento: “Mas de onde surge essa primeira chama para a concepção literária?”. E responde mais adiante: “As ideias podem aparecer através de cenas do cotidiano, da música, de uma conversa no ônibus e de muitas outras formas”. Há quem defenda que a chama surge da eclosão, da ideia, “e a partir daí é escrever, escrever, escrever”, aconselha o mestre Raimundo Carrero. Para David Lodge, autor de “A arte da ficção”, cada autor tem o seu estilo. “A maioria dos autores faz algum trabalho preliminar, ainda que de cabeça. Muitos se preparam por semanas ou meses, enchendo cadernos de anotações: fazendo…

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Sobre os livros que ensinam a escrever (1) (Por Paulo Caldas)

O recente lançamento do livro “Escrever ficção não é bicho papão” (Autoajuda Literária), cujo conteúdo propõe dicas de como dar os primeiros passos na carreira literária, abriu espaços para discussão sobre o tema.  No prefácio do “A arte da ficção” John Gardner (Civilização Brasileira), um dos textos mais elogiados do gênero, o autor escreve: “Este livro propõe-se a ensinar a arte da ficção ao principiante que pretende levar seu ofício a sério. Antes de tudo, admito que o aprendiz de escritor, potencial e virtual usuário deste livro, tenha efetiva capacidade de tornar-se um autor de sucesso se assim o desejar, uma vez que a maioria das pessoas que conheci e que queria isso – sabendo o que realmente significava – alcançou, de fato, seu objetivo. Tudo o que se exige do candidato a escritor é uma nítida compreensão do que pretende ser e do que tem a fazer nesse sentido.…

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Quem tem medo do bicho-papão? (Por Paulo Caldas)

Não se trata de um lançamento de literatura infantil, mas sim o resultado de estudos e experiências de um grupo de escritores que tem muito de seus truques e manhas a repassar para o público. Querem saber? Leiam “Quem tem medo do bicho-papão?”. . Cinco autores se reunindo para conversar, opinar sobre seus textos e os textos dos outros, fazer exercícios e tentar aprimorar seus estilos. E, claro, ninguém é de ferro: o trabalho duro fica mais suave com alguns goles de vinho e alguns petiscos ao longo da noite. Assim é a rotina quinzenal do Autoajuda Literária, que está completando seis anos de existência e comemorando o lançamento do seu segundo livro: Escrever ficção não é bicho-papão. Os componentes do grupo – Cícero Belmar, Cleyton Cabral, Gerusa Leal, Lucia Moura e Raimundo de Moraes – são autores premiados e com bastante experiência em oficinas de escrita criativa. Escrever ficção…

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Um Galeão Voador pousa nas escolas (Por Paulo Caldas)

Há um bom tempo que escolas do ensino médio e fundamental de Pernambuco adotam os livros paradidáticos, chamados de literatura complementar, da autoria de escritores locais ou aqui radicados. O fato poderia parecer comum não fosse a concorrência das editoras do Sudeste e Sul do País, sempre ávidas para ocupar preciosos espaços nesse nicho do mercado livreiro. Ao longo dos últimos 30 anos, pelo menos, a produção local tem marcado presença com a publicação de títulos que se mostram em conteúdo e estética tão bons quanto os que vêm de fora. E essa prática tanto resgatou quanto revelou inúmeros autores com o dom de escrever para a faixa etária a que se propõe e artistas gráficos que correspondem às expectativas com ilustrações de alta qualidade. [caption id="attachment_4308" align="alignnone" width="225"] Luiz Marcello Trigo[/caption] Dois nomes que integram o atual cenário das letras e artes visuais por aqui se encontram no livro…

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Ler Márcio de Mello (por Paulo Caldas)

Márcio de Mello se destaca pelas virtudes de leitor voraz e de escritor de notável criatividade. O texto desse noronhense, que viveu por longo tempo em Macau-RN, tem cheiro de maresia, é claro. Não das praias rasas de águas tépidas, mansas, cristalinas, mas de mar aberto, denso, profundo, exato, como o zelo com que nutre cada palavra, frase, sentença, parágrafo. Márcio dispõe de outra virtude intrínseca ao bom escritor: a memória. E dela faz bom uso na composição dos contos do seu "Um certo Capitão Vidraça" (Edições Bagaço 2013), bem como maneja habilmente a inventiva, como fez no livro anterior "Uma história de outro mundo e outras histórias de bichos que não navegaram na arca de Noé", da mesma editora, em 2012. [caption id="attachment_4159" align="alignnone" width="213"] Márcio de Mello[/caption] Da memória ele traz personagens de perfis inusitados, vistos e reinventados com o necessário talento. Da sua criatividade aparecem outros tantos…

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