Marcelo Alcoforado

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Você conhece Luiz Armando Queiroz?

Certamente, sim, mas você não liga o nome à pessoa. Melhor dizendo, não liga os nomes à pessoa. Assim mesmo, no plural. Afinal ele já foi Beto, Tuco, Belchior, Cláudio, Agripino, Duda, Douglas Fabiani, Adolfo, Júlio, Afonsinho Henriques Mourão, Tito Moreira França, Cândido, Tenente e dezenas de outros personagens que imortalizou em telenovelas, filmes e peças teatrais. O resultado é que ele enriqueceu a arte cênica brasileira, como você irá constatar mais adiante. Novelas, programas e especiais, por exemplo, foram diversos. Na Globo, Selva de Pedra foi o primeiro, em 1972. Em seguida vieram A Grande Família (a primeira comédia de costumes da Globo), Cuca Legal, Pecado Capital, Estúpido Cupido, Nina, Sinal de Alerta, Dinheiro Vivo, Memórias de Amor, Olhai os Lírios do Campo, Plantão de Polícia (participação especial), O Resto é Silêncio, Os Imigrantes, As Cinco Panelas de Ouro, Avenida Paulista, Nem Rebeldes nem Fiéis, Os Imigrantes: Terceira Geração,…

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Frei Caneca: Morte e vida de um herói e mártir

Naquele 13 de janeiro um herói pernambucano inscreveria seu nome na história do Brasil. Desde cedo estava armado o triste espetáculo da demonstração de força pela forca. O cadafalso estava em frente ao Forte das Cinco Pontas, escancarado, para que todos o vissem. O condenado era um religioso despojado dos seus trajes sacerdotais. Era um tempo de poder incontrastável mas, mesmo assim, três carrascos, homens acostumados a exterminar outros, se recusaram a enforcá-lo. Os militares, então, diante da desobediência dos verdugos, ordenaram que fosse formado um pelotão de arcabuzamento. Só para lembrar aos mais esquecidos, arcabuz era, digamos, o equivalente ao fuzil de hoje. Teria ocorrido ao comandante da execução que, ao fim, o espetáculo teria mais impacto, já que haveria a tenebrosa sonoplastia dos disparos? O fato é que cessados os estampidos, o corpo foi colocado à porta de um templo carmelita existente no centro do Recife, em seguida…

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Rogaciano Leite, a história de uma vida

Pergunta-se: qual é a probabilidade de dar certo um filho de agricultores nascido em 1920, em Itapetim, Sertão de Pernambuco? É bem pequena, admita-se, embora não impossível. Pelo menos não foi, quando nasceu Rogaciano Leite, no dia 30 de junho daquele ano. Quinze anos se arrastaram naquela cidade também conhecida por “Ventre Imortal da Poesia”, suscitando outra pergunta: o que poderia fazer naquele lugar modorrento o menino agora transformado em um rapazola magricelo? Fazer poesia, ora. Foi exatamente isso o que ele cuidou de fazer. E para dar início em grande estilo à carreira de poeta violeiro, desafiou, com apenas 15 anos de idade, recorde-se, o famoso e experiente cantador Amaro Bernardino. Ao final da cantoria conquistou o aplauso dos presentes, e sua fama começou a correr mundo, levando o dono com ela. No Rio Grande do Norte, ele fez uma sólida amizade com o poeta Manuel Bandeira, que lhe…

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A história de um vigário

No Recife Antigo, centro econômico brasileiro em parte do século 19, existe uma rua chamada Vigário Tenório. Lamentavelmente, poucos sabem quem ele foi. Para começar, defina-se que a palavra vigário define o religioso que, investido dos poderes de outro, exerce em seu nome suas funções. No uso informal, porém, de forma nada airosa, vigário é quem trapaceia, faz velhacaria, é vigarista, enfim. Tanto que na música Tamo aí na atividade (sic), a banda Charlie Brown Júnior canta Eu nasci pobre mas não nasci otário. Eu é que não caio no conto do vigário. Quer saber o porquê da expressão conto do vigário? Conta-se que no século 18 havia uma disputa entre os vigários de duas paróquia de Minas Gerais por uma imagem sacra. Um deles, então, para pôr fim à disputa, propôs amarrar a santa a um burro que estava solto na rua, exatamente entre as duas igrejas. A paróquia…

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O velho Raul Moraes

“(...) Na alta madrugada o coro ensaiava | Do bloco a marcha Regresso | E era o sucesso dos tempos ideais do velho Raul Moraes (...)” Nesses tão poucos versos, o grande Nelson Ferreira homenageou, na sua Evocação nº 1, Raul Moraes, aquele que está em um dos frevos de maior sucesso, mas que, mesmo assim, poucos sabem dele. Agora, se você está no rol dos que não sabem, nestas poucas palavras vai passar a saber. Para começar, o recifense Raul Moraes nasceu no dia 2 de fevereiro de 1891 e morreu no dia 6 de setembro de 1937. Acabou-se a narrativa? Não. É pelo que ele fez no intervalo entre as duas datas 46 anos demasiadamente breves, que na já falada Evocação o maestro Nelson Ferreira classificou o tempo em que ele viveu como os tempos ideais do velho Raul Moraes. Mas, afinal, quem foi Raul Moraes? Foi um…

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Manuel Bandeira: Reflexões ainda natalinas

Natal, em verdade, é uma data religiosa, embora para a maioria das pessoas seja apenas como um feriado que se comemora a cada 25 de dezembro. No Egito, onde se originou, celebrava o nascimento de Amon Ra, o Deus Sol, todavia no século III passou a ser utilizada pela Igreja na conversão dos povos pagãos subjugados pelos romanos. A partir daqueles dias, quase todos os povos, inclusive os não cristãos, comemoram o Natal, preservados costumes como a troca de presentes, a árvore, os cartões de boas-festas, a música e os enfeites, tudo coroado com a ceia natalina e o sorriso cativante do Papai Noel, essa figura que no imaginário das crianças lhes traz o tão desejado brinquedo. Talvez seja por todo o seu encanto, que o Natal também desperta poesia. Como despertou esta: Espelho, amigo verdadeiro, / Tu refletes as minhas rugas,/ Os meus cabelos brancos, /Os meus olhos míopes…

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Jerusalém, Pernambuco

Há cidades preferidas pela beleza, ou pela suntuosidade, ou pelo progresso ou pela fé... Jerusalém, por exemplo, é a mais amada do mundo, por legiões de pessoas de nacionalidades e crenças as mais diversas. Não existe outra, avalia-se, de maior importância para a paz mundial. Basta dizer que o Muro das Lamentações é o segundo local mais sagrado do judaísmo, superado apenas pelo Santo dos Santos, no Monte do Templo. Parece claro, pois, que mais do que um ponto no mapa, Jerusalém ─ situada nas montanhas da Judeia entre o Mediterrâneo e o Mar Morto ─ é, acima de tudo, única entre as cidades mundiais, tanto em relação à sua história como ao seu impacto presente e futuro no planeta. Fundada 3.000 anos antes de Cristo, é tida como sagrada pelo judaísmo, pelo cristianismo e pelo islamismo. Nada a ver com a Jerusalém pernambucana, a Nova Jerusalém, você já deve,…

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O virtuose que nunca tocou

Faz pouco mais de dez anos. Foi em maio de 2006. Um violino Stradivarius foi arrematado em um leilão nova-iorquino por US$ 3,5 milhões. Não é engano, não. É o que você leu, mesmo! Três milhões e meio de dólares, um valor que jamais fora alcançado por um instrumento musical em leilão. Estimada pelos especialistas em US$ 2,5 milhões, a surpreendente valorização foi consequência de uma acirrada disputa entre dois milionários que deram seus lances por telefone. Relembre-se, desde já, que o instrumento leiloado não era um violino qualquer. Era nada menos do que um Stradivarius fabricado em 1707 pelo luthier italiano Antonio Stradivarius. Em maio de 2015, outro instrumento da mesma marca, fabricado em 1699, fora vendido por cerca de US$ 2 milhões. Por que, você pode estar perguntando, o violino de 1699, mais antigo, alcançou preço menor do que o de 1707? A resposta é simples. O de…

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Temudo fala por si

Dia após dia, milhares de pessoas dos mais variados estratos sociais transitam pelo viaduto Joana Bezerra, a maioria esmagadora sem se dar conta de que o viaduto Joana Bezerra, é na realidade o viaduto Capitão Temudo. Você, possivelmente, é uma dessas pessoas. Capitão o quê? você tem razão de achar a afirmação muito estranha. Não só pelo fato de o nome correto não ser Joana Bezerra, mas por ser Capitão Temudo. Pois saiba que muito se tem a falar dele. Quem, afinal, foi o capitão Temudo? Foi um militar português que deixou o seu nome insculpido não só no viaduto Joana Bezerra, mas na história do Brasil e de maneira mais marcante na de Pernambuco. Você, de novo, se põe a cismar: Quer dizer que um militar português deu nome a um monumento brasileiro, genuinamente pernambucano! Quer saber por quê? André Pereira Temudo, o nome completo do capitão, acompanhou, em…

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